domingo, 8 de julho de 2007

Brasília

Tendo seu plano urbanístico feito pelo urbanista Lúcio Costa e suas principais construções projetadas pelo famoso arquiteto Oscar Niemeyer, a cidade de Brasília é um monumento ao modernismo, porém nem por isso deixa de ter elementos paisagísticos do estilo inglês.
Um dos mais marcantes é a forma como as muitas linhas de vista são utilizadas para destacar as várias construções de arquitetura impactante, cartões postais da cidade. Contudo não seria possível ter essas linhas de vista se não fossem os vastos gramados que podem ser encontrados por toda a cidade e que fazem de Brasília uma cidade excepcional, uma vez que, diferentemente das demais cidades brasileiras, Brasília não tem suas construções coladas umas nas outras e amontuadas às margens de ruas. Em Brasília os espaços são amplos e abertos, de forma que seus habitantes e visitantes têm a sensação de liberdade total de movimento, o que é muito prazeroso.
Enfim, mesmo 3 séculos após seu surgimento o Estilo Paisagístico Inglês continua marcando presença nos maiores projetos paisagísticos do mundo.

Parque do Ibirapuera

Inaugurado em 21 de agosto de 1954 para a comemoração do IV Centenário da cidade de São Paulo, o Parque do Ibirapuera é um projeto relativamente recente se comparado com o Parque Lage, mas nem por isso deixa de refletir as ondas de repercução emitidas pelo paisagismo inglês quando este surgiu no séc. XVIII.
A partir da vista aérea do parque pode-se notar que ele possui uma configuração bastante assimétrica, uma característica comum no paisagismo inglês, visto que nada na natureza é perfeitamente simétrico. Ele também conta com grande variedade de espécies de plantas ditribuídas em maciços ou isoladas, que não só servem para mascarar pontos de vista indesejados, como também proporcionam sombra para os visitantes nas muitas áreas de lazer do parque. Outros elementos típicos do paisagismo inglês que não podem deixar de serem citados são os gramados que favorecem a vista dos vários monumentos e edificações no parque, e os lagos cujas águas dormentes transmitem a sensação de descanso aos visitantes.

Parque Lage


O Parque Lage constitui a última área arbórea contínua, entre as faldas do Corcovado e a rua Jardim Botânico. Projetado inicialmente pelo paisagista inglês John Tyndale em 1840 ao gosto dos jardins românticos, foi parcialmente reformulado, nas décadas de 1920, 30 e 40, principalmente o trecho à direita, quando seu proprietário, o industrial Henrique Lage, mandou edificar nova residência, em substituição à que fora de seu pai, Antônio Martins Lage. Contudo, é importante observar que a sua reformulação não constituiu descaracterização da proposta original, mas apenas acrescentou novos elementos na composição da paisagem. Ainda hoje é possível apreciar ali muitas das características típicos do paisagismo inglês, como o amplo gramado que deixa livres as linhas de vista que convergem para a edificação e os lagos que transmitem aos visitantes a sensação de relaxamento. Porém, os elementos de maior destaque e que rementem diretamente à escência da filosofia do paisagismo inglês, ou seja, a valorização da natureza, são sem dúvida os bosques e as áreas de preservação ambiental que presenteiam seus visitantes com um verde esuberante.

sábado, 7 de julho de 2007

A Influência do Paisagismo Inglês

À esquerda, Palais de Versailles e à direita, Blenheim Palace

O Estilo Paisagístico Inglês surgiu no século XVIII em conseqüência do movimento de artistas e intelectuais em prol da natureza, e destacou-se justamente por buscar reproduzir a paisagem natural. Até então, a maior referência em paisagismo era o estilo francês que se caracterizava por mostrar a natureza dominada pelo homem, prevalecendo a geometria e a uniformidade simétrica.
O estilo inglês propôs uma nova linguagem, um novo modo de pensar e reproduzir a paisagem natural, e repercutiu fortemente não só sobre o jardim francês, mas também sobre os demais estilos da época.
Ele inovou conceitos e deixou sua marca na arte de progetar espaços abertos de tal forma que ainda hoje é visível a sua influência em jardins e parques do mundo todo.
No Brasíl existem inúmeros exemplos de paisagismo onde podem ser encontrados elementos do estilo inglês, tais como o Parque Lage, no Rio de Janeiro, o Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e as paisagens de Brasília.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

A Liberdade

Vista dos fundos do Blenhein Palace em Woodstock, Oxsfordshire

Para aqueles que pela primeira vez deitam seus olhos nos parques ingleses a imensidão desses espaços abertos e muitas vezes quase totalmente planos pode ser um choque, especialmente se essas pessoas forem provenientes de cidades onde cada metro, cada centímetro tem um uso, seja ele feito pelo homem, de forma planejada ou não, seja ele feito pela natureza. Num primeiro momento, pode lhes parecer absurdo que um espaço tão grande seja desperdiçado com algo tão inútil e sem propósito quanto grama, principalmente quando esses espaços estão inseridos num contexto urbano. Contudo, passado o choque inicial, os visitantes descobrem as maravilhas de se ficar de pé no meio de um gigantesco tapete natural, onde em qualquer direção que se olhe há uma vista espetacular.
No entanto, é no campo onde se encontram as paisagens mais chocantes, pois não há nada mais maravilhoso e assustador do que olhar para um gramado e não ser capaz de determinar onde ele termina. Nesses espaços não há absolutamente nada que impeça o visitante de se movimentar em qualquer direção e ele é tomado pelo desejo de explorar aquela imensidão até encontrar o extremo oposto. Tem-se a sensação de que se poderia correr a vida inteira e ainda assim jamais chegar ao outro lado.
Talvez seja essa a maior qualidade do Paisagismo Inglês, a capacidade de transformar um sentimento tão abstrato quanto a liberdade em algo tangível.

Os Gramados

Cambridge
Os gramados são talvez os elementos de maior impacto no paisagismo inglês. Num mundo onde somos obrigados a viver em espaços cada vez mais apertados, fechados e lotados, nada se compara à reconfortante imensidão aveludada dos parques ingleses e à sensação de se estar em um espaço amplo e aberto, onde tudo está ao alcance do olho. Os gramados apresentam quatro características importantes: extensão, forma, relevo e ondulação.
A extensão não depende somente das proporções do parque, mas também dos outros elementos (maciços, rochas, ruas, bosques, etc.). É importante reservar uma superfície grande para traçar as linhas de vista, principalmente a vista principal que é a da edificação.
A forma tem estreita relação com a direção das alamedas, pois são elas que determinam os contornos dos gramados.
O relevo é marcado pela extensão e pelo contorno do gramado, que indicam a maneira como o terreno acliva ou decliva, e ainda pela presença de pedras ou não. As saliências devem ficar fora da linha das visadas para não encobri-las ou então, se adaptarem a elas.
Já as ondulações não devem diferenciar exageradamente do relevo natural do solo e o meio do gramado deve ser rebaixado formando rampas convergentes.

As Águas

Parque do King's College, Universidade de Cmbridge

As águas estão presentes na natureza das mais diversas formas, elas ficam dormentes, caem, correm, brotam... E, uma vez que o Estilo Paisagístico Inglês de jardim é uma reprodução da natureza, deve-se, ao máximo, tentar deixar o rio, lago, corredeira, etc., com aspecto natural, modificando-se o relevo onde o mesmo vai ser implantado.
As águas dormentes (lagos) dão a impressão de descanso, as correntes (cascatas), dão impressão de agitação, de movimento. No geral, as águas paradas devem ser usadas em grandes espaços, como em parques públicos, por exemplo, e as águas correntes, em pequenas propriedades privadas.